Funcionários em greve pedem volta das linhas 11, 12 e 13 para a CPTM ou garantia de emprego para 4.700 empregados que passam por plano de demissão
Ferroviários iniciam greve em São Paulo A greve dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM...
Ferroviários iniciam greve em São Paulo A greve dos funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) realizada nesta terça-feira (4) foi motivada pela concessão dos trens linhas para a empresa privada Trivia Trens. Os empregados da CPTM em greve reivindicam a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com o apoio do governo. O texto do PL prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões. O sindicato não deu prazo para o fim da greve. Segundo o Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) – que representa os 4.700 empregados da CPTM nessas três linhas – apenas 11% dos funcionários da CPTM foram transferidos para a nova empresa privada e a companhia paulista passa por um plano de demissão voluntária para finalizar o contrato dos funcionários. Segundo a própria Trivia Trens, a empresa conta atualmente com cerca de 2.400 colaboradores, dos quais 2.100 atuam diretamente na operação e manutenção — segmento que reúne aproximadamente 11% de profissionais egressos da CPTM. Os 90% de profissionais renovados que atuam na frente operacional e de manutenção receberam mais de 1.300 horas de treinamento prático e teórico, segundo a empresa. Com apenas uma linha após concessões, CPTM entra em reestruturação LEIA MAIS: AO VIVO: Greve afeta 3 linhas da CPTM nesta terça-feira; rodízio está suspenso; vejas a atualizações Prefeitura de SP suspende rodízio após sindicato de funcionários da CPTM decretar greve nesta terça nas linhas 11, 12 e 13 O que diz o governo de SP Reivindicações dos funcionários da CPTM em greve nesta terça-feira (4). Reprodução/TV Globo Por meio de nota, a CPTM e a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “lamentaram a decisão dos trabalhadores das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade de manter a paralisação anunciada para esta terça-feira (04), mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações”. “Na reunião realizada nesta segunda-feira (3), entre representantes do Governo e do sindicato, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), sistema de assistência à saúde destinado aos servidores públicos do Estado”, disse. “A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável que a categoria use a população como instrumento de pressão política”, declarou a gestão Tarcísio. O sindicato da categoria afirma que a paralisação ocorre nesta terça-feira (4) porque, “mesmo após a reunião realizada nesta segunda-feira com representantes do governo do Estado e Sindicato, não houve garantia formal de manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM diante do processo de concessão das linhas ferroviárias”. “Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias. Desde o início das discussões, o Sindicato buscou todas as alternativas de negociação, apresentando propostas e demonstrando disposição para o diálogo”, disse. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participa de entrega de trem da ViaMobilidade em SP em fevereiro de 2023. Rogério Cassimiro/GESP/Divulgação “Até o momento, não houve compromisso formal que assegure o futuro dos milhares de ferroviários e de suas famílias. Serviço A greve é a última medida a ser usada pelos Trabalhadores(as), que seguem unidos na defesa dos empregos, da valorização profissional e da continuidade de um serviço ferroviário de qualidade para a população paulista”, declarou a entidade”, declarou a entidade. “O Sindicato reafirma que permanece aberto ao diálogo e espera que o Governo apresente, com urgência, uma proposta concreta que garanta a preservação dos postos de trabalho e permita o encerramento do movimento grevista’, declarou. Concessão das linhas Trivia Trens assume em definitivo a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram leiloadas pelo governo de São Paulo em março do ano passado. A vencedora da concessão foi o grupo Comporte Participações - dono da Trivia Trens e da Tic Trens - que assumiu o compromisso de investir R$ 14,3 bilhões nas três linhas, com a construção de novas estações, reformas, modernização da infraestrutura e redução dos intervalos entre os trens. Em maio deste ano teve início a operação assistida das três linhas. Nesse período, a transferência da operação da CPTM para a Trivia Trens ocorreu de forma gradual. Na primeira fase, os funcionários da CPTM operavam o sistema enquanto equipes da concessionária acompanhavam os procedimentos. Em seguida, a Trivia Trens passou a operar as linhas sob supervisão dos profissionais da CPTM. Após problemas, CPTM reassume linhas 11, 12 e 13 dos trens metropolitanos A concessionária assumiu integralmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade em 21 de julho. Porém, nos três primeiros dias de operação exclusiva da concessionária, passageiros enfrentaram falhas e atrasos nas linhas. Em 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um dos vagões da Linha 12-Safira. Após os problemas registrados, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse a operação das linhas por um período de 90 dias, enquanto a concessionária realiza ajustes operacionais. Trem pega fogo e provoca paralisação de linhas em SP Plano de demissão voluntária (PDV) Por meio de nota, a CPTM afirmou em 23 de julho - antes de reassumir as linhas por 90 dias - "que estava em processo de readequação e reestruturação do quadro de colaboradores, que atualmente é de 4.700 funcionários". "A iniciativa visa otimizar a eficiência operacional, alinhar equipes ao cenário de concessões e garantir a sustentabilidade das atividades da companhia. A transição foi planejada para assegurar a continuidade dos serviços prestados à população com o máximo de segurança e qualidade". Segundo a estatal, "os profissionais estão sendo realocados de acordo com necessidades técnicas do Estado, como transferência de colaboradores para empresas e órgãos públicos vinculados ao setor de transporte de passageiros e regulação do Estado, adesões ao Programa de Demissão Incentivada (PDI) e adequação temporária de vínculos contratuais". "Com as mudanças, a CPTM preserva um contingente altamente qualificado e mantém em pleno funcionamento estrutura administrativas, operacionais e de engenharia, manutenção e consultoria, com foco especial na Linha 10-Turquesa. A companhia reitera o compromisso com a valorização de seus profissionais, a transparência na transição e o trabalho de modernização da mobilidade urbana. Já a reestruturação da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, publicada no Diário Oficial do Estado em fevereiro deste ano, faz parte da reforma administrativa do Estado e foi elaborada considerando o atual modelo, com maior participação do setor privado".